A morte de um deus

01 de outubro de 1966. Jimi Hendix estava na Inglaterra há uma semana, quando, acompanhado por Chas Chandler, ele realizou um de seus sonhos: conhecer Eric Clapton, então guitarrista do Cream.

Os fãs de Clapton acreditavam que ele era um deus da guitarra, graças aos seus riffs e solos que posteriormente se tornaram legendários. Quem, por exemplo, nunca viu essa pichação?

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O Cream havia sido formado três meses antes disso, mas a fama de Clapton – e a de seus companheiros, Jack Bruce e Ginger Baker – fazia com que ele já fosse visto com respeito pelos críticos.

De fato, eles já haviam adquirido o status de “melhores improvisadores de Londres”, e suas apresentações ao vivo não raramente chegavam aos 15 minutos em cada música (influência direta sobre, por exemplo, o Led Zeppelin).

Assim, quando Hendrix, a pedido de Chandler, subiu ao palco para tocar com o Cream, todos ficaram curiosos para saber quem era aquele jovem que ousava tocar com os maiores de todos.

Hendrix tocou “Killing Floor” (sugestivo, não?) e simplesmente humilhou Clapton. Sua performance contagiante, já conhecida por vocês, leitores do blog, assombrou a todos, pois era completamente oposta ao estilo do inglês.

Enquanto Clapton simplesmente tocava parado, como se fosse um músico de estúdio, Hendrix sentia a música. Ele se jogava no chão, solava com os dentes, fazia movimentos sexuais com a guitarra… diferentes como gelo e fogo.

Clapton, ao ver e ouvir Hendrix, simplesmente largou sua guitarra e passou a admirá-lo, meio maravilhado e meio horrorizado, antes de abandonar o palco. Seu posto de melhor guitarrista havia sido tomado, e com sobras.

Há relatos que, inclusive, Clapton literalmente chorou após o show, chegando a dizer a Chandler: “Você não me disse que ele era tão bom assim, porra!” (Recomendo a leitura desse artigo).

Depois disso, porém, ambos se tornaram grandes amigos. A morte de Hendrix – juntamente com a de Duane Allman – foi um choque para Clapton, que se enterrou em seu vício em heroína, quase acabando com sua carreira no início da década de 70.

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