Lanny Gordin – LSD

“Talvez o único guitarrista brasileiro que tenha conseguido imprimir uma grife glamurosa ao instrumento tenha sido Lanny Gordin: você ouve e sabe que é ele tocando. E mais: Lanny faz um patchwork genial entre a bossa, o rock e o jazz, sem que pareça uma colcha de retalhos. Se existe uma guitarra brasileira, ela se chama Gordin.” – Cláudio Júlio Tognolli

“Lanny Gordin é um primeiro-sem-segundo na guitarra brasileira.” – Chico César

O Hendrix brasileiro

Ele é desconhecido pela maior parte dos brasileiros, apesar de ter tocado com quase todos os grandes artistas nacionais do final da década de 60 e início da década de 70: o início da Tropicália.

Filho de pai russo e mãe polonesa, nascido em Xangai, na China, tendo morado em Israel durante parte da infância e radicado no Brasil desde os seis anos, Alexander “Lanny” Gordin foi considerado o Jimi Hendrix brasileiro.

Ele não morreu, mas, por causa do abuso de LSD (sofreu uma overdose em 1974), e do desenvolvimento da esquizofrenia, sumiu do radar musical do Brasil. A seguir, a única apresentação gravada de Gordin em seu auge:

Tropicalismo

Gordin foi autodidata, e começou a tocar violão e guitarra aos 13 anos; aos 16 já se apresentava profissionalmente, na boate do pai, a Stardust, onde conheceu alguns integrantes da Jovem Guarda, entre eles Wanderléa, além do músico Hermeto Pascoal.

Depois disso, foi introduzido no movimento da Tropicália, onde tocou com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes, Gal Costa, Jards Macalé, Jair Rodrigues, entre outros. Porém, em 1972 ele começou a usar LSD. Em entrevista à Folha de São Paulo, ele relatou a experiência:

Eu já fumava maconha, cheirava cocaína e bebia. Em Londres, tomei o primeiro ácido e conheci um nirvana artificial. Quando a “viagem” passou, eu só queria voltar para aquele mundo. Tomei outros seis ácidos, já aqui em São Paulo. No sétimo, tive uma “bad trip” horrível. Aí comecei a ficar pirado. Não sabia mais o que estava acontecendo.

Na época em que começou a usar LSD, ele estava em turnê com Jair Rodrigues. Sobre a overdose, ele deu detalhes em uma entrevista ao jornalista Carlos Eduardo Moura:

“Eu queria ver aquelas cores de novo, aquele outro mundo. Eu andava na rua à noite e parecia que eu estava em outro mundo. Parecia que eu estava no céu.” Em uma dessas viagens lisérgicas, veio a bad trip, em 1974. Das cores às sombras. Do céu ao inferno. Tudo isso em algumas horas. “Comecei a pirar da cabeça. Eu não entendia o que estava acontecendo.” Lanny sentia-se como um espírito consolador, um Jesus Cristo, “o que é normal para quem toma droga”. “Mas aquilo não era real, era droga, uma pilulazinha que dura 12, 15 horas e que custa alguns dólares.”

Depois disso, ele foi internado em manicômios para “se tratar”, onde chegou até mesmo a sofrer eletrochoques – tratamento comum à época; simultaneamente, a esquizofrenia passou a afetar o guitarrista.

A volta por cima

Mas ele sobreviveu aos maus tempos. Trinta anos depois, Gordin foi redescoberto, e já lançou cinco discos solo desde 2001, se transformando em uma especie de símbolo de que a música brasileira tem que ser redescoberta.

Porém, seu estilo musical mudou, e agora ele prefere tocar instrumentais mais voltados para o jazz e para a improvisação

Confira aqui o perfil de Lanny Gordin produzido por Carlos Eduardo Moura, e outro, produzido por Martina Cavalcantti para a Revista Babel. No site Woodstock Sound você pode encontrar todas as produções em que houveram a colaboração do guitarrista.

Confira algumas das gravações de Lanny Gordin:

Após a volta aos palcos:

Em entrevista a Thunderbird:

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